26/11/2009

A amizade «vela de cheiro»



Há amizades que são como as velas de cheiro.
São bonitas e cheirosas. Quando começam, vão libertando um clima agradável, vão nos hipnotizando pela chama que arde no seu interior.

O fogo vai queimando lentamente a cera, e, aos poucos, a vela vai diminuido até se apagar. Fica geralmente a estrutura. Por fora, a vela continua bonita. Por dentro, já não tem nada. Até dá pena deitar fora!

Quantas amizades encontramos assim na nossa vida, perenes.
As que ficam, são aquelas que nunca acendemos.

(Na sala, hipnotizado pela lareira, dá-me para isto...)

25/11/2009

Momentum


Dupla de Drathaars dentro do Pipoco
Se um já é mau.... imaginem dois!!!!!


Barro a fitar os gansos na Quinta da Maria do Carmo (nha... nha...)

Mulheres, sofás e cães (podia ser um filme de Almodovar)


Uma das peças de mobiliário mais importantes para o universo masculino, é o sofá.

Quando é adquirido, nunca lhe prestam muita atenção, não interessando a cor ou a forma.
Ele é o expoente do castigo conjugal. «Vais dormir para o sofá», diz a esposa quando se zanga com o seu conjuge, afastando-o do leito comum e atirando-o para a frieza e solidão do sofá.
Penso que a maior parte dos homens não se rala muito por este facto, ficando mais as mulheres empolgadas com ele...
Eles já estão habituado a ele. Dormem grandes sonecas, antes, depois, durante o jantar. Podem lá estar horas intermináveis. Comem, babam-se, sujam fazem todas as porcarias que as mulheres não gostam.
Agora, para elas, pior que isto tudo é os espécimes, mais concretamente caninos.
Os cães, têm uma atracção semelhante aos homens pelos sofás. Não sei porquê. Gostam. Gostam e dormem grande sonecas também! Ora bem, nesta foto o menino Barro foi apanhado em flagra, numa soneca que como se pode ver, bem regalada! E para o tirar de lá? Rosna-me e morde quando o puxo, contrariado, lá se levanta a olhar muito sério para o dono, que entretanto já lhe deu umas chapadas.....

24/11/2009

Massive Attack, 22 de Novembro, ASAE OUT OF OFFICE


Após vários meses a comprar cd's dos Massive Attack (dei à Gi um cd dos Massive Attack em Dezembro passado para tentar matar aquele-que-canta-só-música-para-gajas, que näo me lembro agora o nome), o trip hop desta banda bateu forte e feio na Gi (deve ter sido à mistura com uns medicamentozinhos que ela toma....)

Para além disto, tive a infeliz ideia de a convidar para o concerto do dia 22-11-09 no Campo Pequeno. Lá fomos nós, mais a Cátia e o Carlos.

E, penso eu, que se näo fosse das batidas hipnotizantes do trip hop da dupla de Bristol e do que sei lá que beberam ao almoço mais a Francine, (que aliás, na minha modesta opiniäo deve ser a que tem mais juízo), aquilo descaiu para a contestaçao (com razäo) e para a quase violência ( - Se aquela gaja näo se senta....)

A sorte deles, foi o piquete da ASAE ter ido beber a bica....


O concerto foi espectacular. Robert Del Naja e Grant Marshall trouxeram uma banda de cinco elementos, com duas secções de percussão, e as vozes de Horace Andy e Deborah Miller, e ainda de Martina Topley-Bird, cantora que actuou na primeira parte do concerto. Mantendo a atenção e o espírito crítico, os Massive Attack voltaram a utilizar os painéis de LED para lançarem mensagens. Em «16 Seeter», alertaram para as despesas de luxo dos deputados britânicos, comparando-as com os custos para cuidados de saúde em África. Martina regressou a palco de quimono japonês para o obrigatório «Teardrop», cantado pelo público, e também para dar voz a «Psyche», uma das quatro faixas do novo EP «Splitting the Atom». Del Naja e Marshall voltaram a pegar no leme para um «Mezzanine» que aqueceu os ânimos, antes do regresso muito aplaudido de Horace Andy com a canção que o tornou famoso junto dos fãs dos Massive Attack: «Angel».

Alinhamento:
1. Bulletproof Love, 2. Hartcliffe Star, 3. Babel, 4. 16 Seeter, 5. Risingson
6. Red Light 7. Future Proof 8. Teardrop 9. Psyche 10. Mezzanine 11. Angel
12. Safe From Harm 13. Inertia Creeps
Encore 1
14. Splitting The Atom 15. Unfinished Sympathy 16. Marakesh
Encore 2
17. Karmacoma

(Quando puder coloco uns videos....)




17/11/2009

Hi-tech....

Quando ouvia falar da Bimbi, eu cepo nas artes culinárias, pensava naquela maquineta como um agricultor de 70 anos pensa num computador: uma máquina mágica que "faz tudo"!

A Gi, já tinha ido assistir a uma demonstraçäo privada na Maria do Carmo, e, depois de todos aqueles pratos, do pessoal atarefado na cozinha, quando lhe perguntaram:
- E que tal?
Ela respondeu:
- Acho muito engraçada, mas eu nao faço comida em casa....
Este fim de semana, no almoço de aniversário do Miguel, comentava-se as desvirtudes da Bimbi. Afinal nao era a máquina que fazia tudo. Tinha de se descascar as coisas!
Foi um descalabro. Um soco no estômago! Julgava que se metia para lá os ingredientes, e, voilá: uma feijoada maravilhosa!
Nada. Afinal nao é nada disto. É uma maquineta. Deve ser o Magalhaes da cozinha.
Reti, que a virtude que a Bimbi tem é de confeccionar as coisas no tempo que for programado. Ora que gaita!
Por isso, ontem, no final do jantar e perante os comilöes mais animados - os diabretes -  ficou a frase:
- Se tivesse uma Bimbi, fazia comida para os cäes....

14/11/2009

Ensaio sobre a possível morte do Sr. Kursk

No final da tarde de hoje, o Henrique, sempre disponível e pronto a fazer-qualquer-coisa, perguntou: «Tio, o que há para fazer?»
- Olha, limpa os peixes, que já não são limpos à muito tempo - respondi eu.
E lá o fez. Quando estava a tirar os últimos baldes de água, disse: «Tio, o peixe não está cá!!!»
- Impossível. - Respondi. - Vê bem se não o despejaste com os baldes!
E lá fomos à procura nos sítios onde despejou a água, se encontrávamos traços do Kursk. Nada.
O Kursk era o último de quatro peixes oferecidos no meu aniversário, já há alguns anos, pelo Paulo e miúdos.
O que teria acontecido a ele? Não o podemos dar como morto pois não existe corpo!
Logo se levantaram várias hipóteses: «Tia, os cães comeram-no!», «Estava um rato lá dentro, se calhar comeu-o!», «Foi uma garça». Sei lá, uma série de situações para tentar justificar o desaparecimento. «Morreu e desintegrou-se». Rematou a Gi para justificar o desaparecimento com uma afirmação tipo biblica - do pó vieste e não-sei-quê no pó te tornas...», só que ali, é adaptar para o meio aquático.
Bom. O que é certo é que não sabemos dele. Mesmo que tenha preparado um requiem, quando é que posso tocá-lo? O que faço à lata de comida para peixes de lago? Será que o Henrique continua a receber os 2,5€ pela limpeza dos peixes?
Para o mim, o que aconteceu, passo a descrever em flashback:
A água do tanque há muito que já não era mudada, estava com grande concentração de dióxido de carbono. O Kursk era obrigado a vir à superfície várias vezes respirar, onde a água era mais oxigenada. Quando os diabretes não têm água, vão beber ao tanque dos peixes, e, terá sido numa destas conjunturas - Kursk à superfície + sede diabretes - foi apanhado e comido ou tirado para o chão.
Vou continuar à procura. Se encontrar sinais dele, então sim. Morreu o Sr. Kursk!

12/11/2009

Tesourinhos deprimentes - III

Quando comprámos a nininha (a carrinha Volvo) - tudo aqui tem um nome - , há cinco anos, fomos buscá-la num sábado.
Na segunda-feira de manhã quando fui para o trabalho, espreitei-a, toda bonita, e..... ia caindo de cú! Estava toda riscada! Capot, tejadilho..... Foi um choque. Era de ir às lágrimas. Um carro, novo em folha, com 2 dias, todo riscado!!!! E o que foi? A menina Violeta, a cadela dos meus vizinhos, copiando os hábitos do gato do mesmo dono, ia dormir para cima do carro. Só que como era grande, riscou o carro todo. Tentámos tudo: enxutá-la, ameaçá-la, nada. Fizemos o que se faz à milénios: levantámos uma vedação à volta da carrinha. Parecia uma gaiola.

Todo este paleio para quê?
Ora bem. Em Dezembro, a nininha foi substituída por um novo. Ao fim de umas semanas o carro novo apareceu todo roido, sim disse ROÍDO, nas embaladeiras frontais e pára-choques. Uma brincadeira, segundo a Baviera de 860 €..... E o que foi? Foi o menino Remo, que detectou algum rato no berço do motor e pôs-se a roer o carro para ver se chegava a ele. Chocado? Não. Conformado.

Regresso à Ursa

A Ursa, é uma praia practicamente selvagem. Fica entre o Cabo da Roca e a praia da Adraga. O seu difícil acesso pelas arribas, preserva-a das multidões e da destruição humana. Lá tudo é selvagem. É linda.

(Praia da Ursa)
Costumávamos no Verão, ir para lá. Levávamos um lanche, e ficávamos o dia inteiro. O Spot, o Dálmata da minha mãe, ia connosco. Era um dia excelente. Ao fim do dia, trepávamos pela arriba acima, e fazíamos o caminho até Almoçageme já meio-mortos.
Agora em Outubro voltei lá com o Paulo. Não fomos lá abaixo. Mas os dois, na arriba, com o vento a soprar na cara, o barulho do mar revolto, e, a mesma paisagem, intocável, brava, agreste. Era como não tivessemos saído dali durante todos estes anos.
 
(eu e o meu pipoco na Ursa)



(cogumelo na Ursa - comparar com o tamanho do relógio)

21/10/2009

Enfim Outono!


Já tardava. Andava tudo meio esquisito. Que calor! Que mar! Desde ontem está diferente. O mar à noite faz o seu barulho de costume. As ondas estão grandes. A praia está cheia de espuma!







O pipoco com a «cobertura» de Inverno.

Um beijinho para a Gala

Um dos aspectos negativos das férias em casa é a Gala. Normalmente, durante a semana, saio antes dela chegar e volto já depois dela se ir embora. Nas férias, de manhã, quando oiço bom dia, bom dia, olá meninos, bom dia...... levanto-me meio nú, a correr para a casa de banho e fecho-me lá dentro.
Por vezes sou apanhado no trajecto: Olá Gala! Está tudo bem consigo? Deixe-me ir vestir....
Ela já está cá em casa à cerca de uma década. Tem tanto de eficiente como de destruidora. Não percebo metade da coisas que diz, e tenho sempre de recorrer à «menina» Gi para eficiente tradução. Gosto quando faz o almoço, comidas meio-esquisitas. Gosto da maneira militar como faz a cama (ela era sargento na base naval de Murmansk), gosto (parto o coco a rir quando descubro) da maneira como remenda as coisas que parte - chwing gum (lembro uma vez, à bem pouco tempo, compramos um jarro para a água, e a Gi, gosta sempre de peças bonitas com design, ou seja, foi um pouco caro, e pusemos em cima da bancada para pôr na máquina para lavar - foi a última vez que o vimos!)
A Gala e os Nicos.
Bem. Ela gosta deles e eles gostam dela. Ela impõe o respeito militar.

(Todos cá fora à espera que ela termine para poderem entrar. Estão tristíssimos)

O Remo tem autorização para estar lá dentro, porque está velhinho. Ela gosta deles. Quando o Jaba morreu e foi cremado, ela viu a caixinha com as cinzas dele e pôs-se a chorar... o meu jabinha tão grande e agora deste tamanho....

20/10/2009

Obrigado JABA


Os animais, principalmente os cães, são seres cuja devoção, lealdade e amor aos donos, ultrapassa tudo aquilo que temos como «exemplar» na raça humana. São sinceros. Não fingem. Não mentem. Estão sempre prontos a dar. Quantas vezes acordo, ou doente ou mal disposto e há sempre SEMPRE, uma fuça contente pronta a lambuzar o seu dono? Não me posso chatear com eles. São os melhores amigos. Confidentes? Sim também. Ouvem, ouvem e no fim lá damos uma guloseima.
O Jaba, de nome completo Jaba Augusto de São Sebastião e Bragança (Jaba porque tenho um fraquinho pela Star Wars e como ele era tão grande parecia um Jabu (demo) ou Jabba the Hut; Augusto porque era grande, magnânime; São Sebastião, foi o local onde nasceu; Bragança, foi o sr Bragaça que nos deu) era um Rafeiro do Alentejo, filho de campeões nacionais, tinha pedigree. Era imenso. Pesava 75 kg. O veterinário/a dizia que não conhecia nenhum tão meiguinho e grande como ele. Quando veio para casa, pequeno - que já era grande - parecia um boneco. Era colocado no banco de trás do carro, e quando paravamos lá estava ele na mesma posição. Tinha muitas paranóias: não subia ao primeiro andar, tinha medo da trovoada e foguetes, tinha medo da espumado mar, o reflexo dos azulejos bloqueava-o e tínhamos de pôr tapetes na cozinha para ele saír de lá....
Chamavam-no de vitelo na aldeia. Quando era a altura do cio, era uma tragédia. Plantava-se à frente da casa das pessoas e não deixava ninguém entrar, tinham de chamar a GNR e lá íamos nós buscar o Jaba.
Tenho muitas saudades dele. Enchia a casa. Tenho a certeza que proporcionei a este meu AMIGO uma vida agradável. Até ao fim, na sua agonia. Até sempre JABA.

 (ele gostava muito de correr nos areais, e, no topo da falésia, ver o mar)

(no seu pipoco que adorava - também - até ao fim, fiz questão que ele andasse nele)

19/10/2009

SWIMMING POOL - Open soon

Será que é para mais 9 anos? Esperemos que sim. As obras de manutenção da piscina, finalmente acabaram. Paredes limpas, chão rectificado e reparado, liner novo, saídas de água e tomada de aspiração novas, água nova (Ricky, 4 VTT-não-sei-que de 9500 litros !!!). Foi desde as 8 da manhã.

Na fase de enchimento....














Já cheia (a casinha lá atrás até se ri de contente.....)

Tarados pelo jipe

Não posso saír no meu pipoco! Mal dou à chave do Land Rover, é o que se vê! Desatam a correr, a esgravatar a porta. Querem ir.
E vão.
Que remédio!

O meu avô Pinto



Quando penso no meu avô Pinto vêem-me à cabeça três ideias: Viseu, piloto, e chato.

A minha família Ferreira Pinto é de Viseu. São todos louros. O meu pai e tio tinham o cabelo quase branco em pequenos. Os meus primos são louros. Ele dizia - para desgosto dela - que a minha mãe tinha estragado a raça!
Só bebia vinho Grão Vasco, (do Dão Claro) e água do Vimeiro.
O Paulo, o primogénito, era o favorito. Eu, era o cantiflas.
Tinhamos de ter o cabelo cortado como ele. Os calções tinham de ser acima do joelho, como ele.....

Era piloto. Tinha histórias engraçadíssimas, como aquela em que foram a França buscar os Dragon Rapid, e caíram antes dos Pirinéus voltando de comboio para Lisboa.


Ele era uma pessoa do mundo. Vivia tão depressa em África, como na casa de Santa Cruz, em Lisboa ou na Malveira. Era uma confusão.
Nunca passei um Natal com ele, nem nunca foi aos meus anos. Ia e vinha com uma velocidade que não deixava saudades.


Muito cedo ficou viúvo. A minha avó faleceu com vinte en poucos anos, complicações pós-parto. Ficou em Bissau.
O meu avô «despachou» os filhos para a irmã -a minha tia Zaida - , e teve, como se fugisse à própria vida, uma vida de aventura e desprendimento.
Era uma pessoa culta. Escrevia, desde os tempos na Base de Sintra, em diversos jornais. Tinha colunas regulares no «Jornal de Sintra», «Badaladas da minha Terra», «Moca de Rio Maior» e colaborações no Diabo.
Era amigo dos seus amigos, e conservava fortemente as amizades.
Recordo que recebia todos os natais um postal de Otto von Habsburg, o pretendente ao trono do império austro-hungaro, e que se cruzou com o meu avô na Guiné, estando na altura a escrever o seu trabalho «Afrika Ist Nicht Verloren: Schwarz und Weib--Partner, Nicht Feinde», na qual escreve uns capítulos sobre a àfrica portuguesa. E, refere um episódio, na Guiné, debaixo de uma forte trovoada, o meu avô aterrou o Dornier numa praia, mesmo à beira-mar, saíram do avião, abrigaram-se, e no dia seguinte lá foram outra vez .

Era chato.
Era um político. No tempo do Gen. Humberto Delgado, que acompanhou, a DGS impediu os filhos de frequentarem o Colégio Militar. Após o 25 de Abril, virou extrema direita tendo mesmo sido candidato a deputado pelo PDC (partido da democracia cristã).
E eu e o meu irmão lá viviamos no turbilhão de ideias entre a esquerda (do meu avô Diniz) e a direita (do meu avõ Pinto). Tinhamos de ler o: Avante, o Diário, a Moca e o Diabo! Era uma trabalheira!

17/10/2009

Keep on surfing...


Este Outono tem sido de loucos. Dia 17 já a meio do mês! E nós, melhor que no Verão. Há menos gente, a água está boa, a praia é finalmente nossa. Aqui na foto, sábado de manhã, lá fomos no Land Rover para a Praia Pequena, a nossa favorita. O Miguel e o Henrique foram surfar, ficando eu o Diogo e o Zé Miguel encarregues dos banhos. E foi uma banhoca de 2 horas!!!!!! No final lá fui eu ao surf, mas a maré estava a subir e já não pude fazer mais (sempre desculpas né?)

(na foto o Henrique, o Diogo, o Zézito, eu e a «minha» prancha)

28 anos depois

Na passada sexta-feira, dia 16/10, foi o início das comemorações no Colégio Militar a que se deu o nome de Início do Ano Lectivo.
Tinha de lá ir. Tinha de ir ver o 272, o meu Henrique.
Estava cheio de medo de lá voltar. Já não entrava por aqueles portões à 28 anos.
Medo de tantas recordações. Aquela casa que me acolheu durante 7 anos da minha vida. Talvez os piores e os melhores anos. Nela passei de miúdo a homem. Perdi o meu pai. Tinha os meus amigos. Estava afastado da minha mãe.
Soube à última da hora que a minha mãe também ia (ver o seu neto claro), e encontrei-me lá com ela. Agarrei-lhe o braço e entrei pelos portões. Nessa altura, houve qualquer coisa de extraordinário em mim. Uma sensação de paz interior e uma angústia enorme. Subi rapidamente as escadas dos claustros em direcção às varandas superiores. Fui direito ao «geral» das salas de aulas e ali fiquei um pouco a olhar em redor. Nada tinha mudado!
Saí rapidamente e entrei na capela.
Ali, que em tantas alturas, tinha procurado o conforto, a sabedoria e o alento Daquele que me ajudava a ultrapassar a solidão e o medo.
Já na varanda, começam a entrar as companhias. A 1ª, a 2ª a 3ª e finalmente a 4.ª. Assiste-se a Ordem Unida. O bater das mãos nas armas. O som das armas a baterem no chão.
Era um ciclone de recordações. Entra o estandarte. Entra a bandeira Nacional. O comandante grita: «Batalhão em continência à bandeira apresentaaaarrr Aaaarmmmaaa».
O batalhão, em unísono, bate numa cadência de séculos, na coronha e cano da arma. Toca o hino nacional pela banda do exército. Canta-se, nos claustros, numa ambiência que lhe é única as estrofes que nos unem na mesma Nação.
Gritou-se vários Zacatras. Foi entregue como é habitual, a espada pertencente ao rei D. Carlos, que confiou ao comandante do batalhão como testemunho da lealdade à Pátria.
Tinha os olhos humedecidos. A minha mãe chorou.
No final, à saída pelos portões, agarrou-me o braço e disse «vocês tiveram uma infância muito difícil»....

(a minha mãe, a Margarida, o Paulo, o Miguel e em baixo o Diogo)

13/10/2009

Caminhos da Cultura – O Outro Lado do Património

Saiu no «Jornal de Sintra», texto de Vanessa Sena Sousa.

Em articulação com o programa “Sintra: Capital do Romantismo”, foi criado o roteiro “Caminhos da Cultura – O Outro Lado do Património”, apresentado pela autarquia no dia 25 de Setembro na Sala Manuelina do Palácio Nacional. Destinado a apresentar os recantos mais esquecidos do concelho, esta obra é destinada tanto aos sintrenses como aos turistas.


Este não se trata de um roteiro usual, mas de um projecto em continuidade. “Esta é uma obra inacabada”, explicou o vereador da Cultura e do Turismo da Câmara Municipal de Sintra, Luís Patrício, que tem como um dos objectivos “divulgar a parte do património que, por vezes, é menos referenciada”.

A coordenadora do projecto e técnica superior do Núcleo do Património Histórico e Antropológico da autarquia, Maria Teresa Caetano, revelou que “a ideia surgiu porque se constatou que o turismo em Sintra é massificado”. De facto, os turistas acabam por visitar os mesmos lugares, os mesmos monumentos e conhecem pouco ou desconhecem completamente a história, as estórias e as lendas desses lugares.

A obra, apresentada num dossiê com quatro capítulos (ou “quatro caminhos”), refere um pouco de tudo isso e apresenta as coordenadas, inclusive em GPS, num formato que “pode ser usado individualmente por cada pessoa de uma forma prática e eficaz”, explicou Luís Patrício. Esta obra será, assim, uma forma de redistribuir os fluxos turísticos de Sintra por novos itinerários, abrangendo a oferta de espaços ao aproveitar aqueles que foram ficando no anonimato enquanto o centro da Vila foi recebendo a maioria dos visitantes do estrangeiro.
Porque Sintra é muito diversificada em espaços com uma “flora e fauna únicas”, repleta de “recantos que não são visitados”, como indicou Maria Teresa Caetano, e porque existe uma grande quantidade de museus no concelho, “muito dispersos e pequenos, mas com riquezas que a maior parte das pessoas desconhecem”, era já necessário um compêndio de todos os lugares que vão passando despercebidos mas que, outrora, foram aclamados por muitos artistas, especialmente escritores. Esteve também presente na cerimónia o professor universitário José Manuel Anes, que já publicou diversas obras sobre Sintra, especialmente sobre a Quinta e o Palácio da Regaleira, e que foi convidado a comentar a obra apresentada. Sublinhando algumas das referências literárias a Sintra, o estudioso focou alguns pontos da história, sublinhando a importância do imaginário como uma parte fundamental das origens de Sintra.

Dois anos depois te ter sido concebida a ideia, naquela mesma sala do Palácio Nacional, foi assim apresentada publicamente, a obra que “é um trabalho a acabar todos os anos”, como ressaltou o presidente da autarquia, Fernando Seara, já que é uma “recolha de estórias com história” que tanto é um “ponto de partida” como “um ponto de chegada”.

08/10/2009

A vida bucólica no campo - Parte I

A vida no campo, é saudável.
Os passarinhos..., o ar puro..., a verdura.... é uma maravilha!
Ainda na passada terça-feira, chegava a casa, chovia a cântaros, quando vi a enxurrada de água que galgando a caleira do portão que estava cheia de terra e lixo, escorria pelo meu caminho abaixo, já abrindo um roço de todo  tamanho!
E eu, lá entrei, fui calçar as galochas, vesti o meu impermável amarelo tipo «obras», fui buscar a pá e a enchada, e, cumprindo as maravilhas do campo, fui exercer os bracinhos!
Claro está, que ao fim de um dia de trabalho na urbe, nada melhor do que cavar e acartar terra


(a entrada vendo-se a vala cavada pela chuva)

Tirei as grelha metálicas, desentupi o ralo do muro e comecei a tirar a terra. Quando terminei estava completamente encharcado, meias, cuecas tudo...............
A vala ficou no caminho, a fase seguinte é tapá-la.

Bar Mitzvah

Não não fez 13 anos. Não nem nada a ver com a religião judaica. Tem mais a ver com o conceito do que com o conteúdo: RITUAL DE PASSAGEM!
Significa que passa do estado «mais-ou-menos-caseiro» para GALDÉRIO !!!
E como vemos isso agora? Simples. Pela chapa que tem ao pescoço. Sim tem chip, mas o que interessa? Nesta chapa tem os telefones todos, nada mais nada menos que dois telemóveis e um fixo (ainda na segunda, estavamos em Cascais, quando liga um velho para o telemovel da Gi a perguntar se o cão - Remo - se tinha perdido ou se o tinhamos abandonado - Helllllllllloooooooo se o abandonasse tinha os contactos??? hellloooooooo - ASSHOLE. À conta destas chapinhas estamos não-sei-aonde e ligam: olhe está aqui um cão.... blá bla´blá .... e já sabemos, temos de ir buscar o Remo ou pedir a algum familiar para o fazer.
Por isto, o meu Barro (Barro Euclides de São Romão), tornou-se oficialmente um GALDÉRIO.

04/10/2009

Um dos dedos...

Como já tinha referido num post anterior, eles são como os dedos das mãos: são todos diferentes. O de hoje, o Rodrigo, é um bom correço!

(no almoço de N. Sra. da Graça)
Mal me vê é: tio vamos brincar às escondidas? vamos jogar à bola? vamos.....
É uma canseira. Uma BOA canseira!
Quando não me vê pergunta por mim: o tio pedu? o tio Pu?
E eu, quando o vejo, não resisto, Vamos lá brincadeira!!!!

Open Praia-das-Maçãs (ou Torneio ATP - Advanced Task Pork)

La vida Loca

09:00 - 10:00 -  Jogo. Vários set's, alguns a pares.
Intervalo para Bica
Início do «Grelhamento do Porco». Nota de pesar: mesmo dizendo que gostava de carne mal passada, e não tendo nenhum de nós tomado o pequeno almoço, foi-nos recusada uma fatiazita crua...)

10:00 - 11.. e tal - Cá está! mais forte que nós! Banhoca........ Báltico.



12: e tal - Piscina! água outra vez...........


14:00...... - Almoço: Porco até fartar.......
15:00 -  em diante: Jogo até às 19:00. Foram dois sets a pares. Claro está que depois de um dia destes perdemos os dois!!!!!!!!!! (mais grave é que os pares eram femininos. Odeio as Patrícias e as não sei q........ de servem que nem umas toninhas..........) Pirolito se não treinas o serviço estamos lixados.........


Tesourinhos deprimentes - 2

Claro está que mais uma vez, o protagonista desta história é, como não podia deixar de ser, o menino REMO.

Ele, endiabrado como é, não pára quieto. É correria, saltar de um lado para o outro do muro, auto-mau, e um não acabar de atitudes classificadas como de «bicho carpinteiro».

Numa destas habilidades, concretamente o «saltar o muro de um lado para o outro», bateu com a mão esquerda no fio do muro, partindo o Rádio e o Cúbito do antebraço esquerdo.
Levou não-sei-quantas talas de material XPTO, os veterinários punham tudo do mais avançado e, ao fim de uma semana (nem sei se tanto), lá estava ele a ser operado para lhe colocarem outras porque ele partia tudo.
Até que, já fartos desta «vida», os Vet's operaram-no e colocaram uns ferros a segurar os ossos porque aquilo nunca mais solidificava.

Para nos certificar que ele ficava quieto, tivemos de contratar um «pet sitter», um amigo que estava desempregado e pagando ao dia + tabaco + comida, lá ficou em casa a tomar conta do menino REMO. Claro está que aquela perninha ficou na altura por uns milhareszinhos de euros.

30/09/2009

Nu, óleo sobre tela


Na parede adjacente à entrada do escritório do primeiro andar, existem dois quadros, que são uns estudos de nús, em óleo sobre tela (sim, este texto é para vocês verem que o vosso tio não é nenhum tarado....)

Estes quadros têm duas histórias, bonitas e curiosas.

História Curiosa

Dr. Otto Deutschberger, 75, Dies; Ex-Radiologist in New York City
May 10, 1979, Thursday
Dr. Otto Deutschberger, former, director of radiology at the New York Eye and Ear Infirmary in New York City, died of cancer May 2 at Hollywood Hospital in Florida after a brief illness. He was 75 years old and had lived in Portugal since his retirement.
The New York Times

Esta notícia que saíu no New York Times, em 1979, dava conta do falecimento do Físico e Radiologista Otto Deutschberger.
O meu professor de física, o Dr. Lepierre Tinoco, deu na aula, com tom grave, a notícia do falecimento do Dr. Deutschberger, que fora um dos assistentes de Albert Einstein e que com ele produziu vários trabalhos relacionados com a física das partículas.
E eu após ouvir a notícia disse: «Eu conhecia-o. Ia várias vezes a sua casa». Espanto geral.




História Bonita


Os quadros já referidos, foram pintados por Rita Deutschberger. A esposa do Dr. Deutschberger. Eles viviam na altura no Banzão, à saída do Mucifal. A Rita dava aulas de pintura à Gi. A vivenda onde viviam, tinha piscina, e quando a Gi ia para as aulas de pintura, convidava-me para ir com ela para tomarmos banho. Claro que eu queria ir!


Mais tarde, a Gi, confessou-me, que queria que eu fosse com ela para estar ao pé de mim, mas eu, queria lá saber de «gajas», queria era tomar banho na piscina. Acho que sempre fui um pouco tapado em relação a estes assuntos (colégio de freiras + colégio interno + mecanotecnia - gajas = tímido)


E assim, enquanto a Gi mais a Rita se entretinham à volta dos óleos, pincéis e telas, eu lá passava a tarde a mergulhar na piscina do Dr. Deutschberger.

28/09/2009

My Little Poney ou porque é que uso relógio no braço direito


O meu sobrinho Henrique (perdão, 272), sempre que vai ao escritório e vê lá as minhas esporas, pega nelas e eu digo-lhe: quando começares as aulas de equitação dou-te essas esporas que também já foram do teu pai!
Ele adora cavalos. Desde pequeno tem um cavalo, castanho imaginário de que tinha de tomar conta, e nós, principalmente a Gi, derretíamo-nos com o facto. Cresceu, e aprendeu a montar. No Paddock já tinha chegado à fase dos saltos. Ele gosta.
Agora é diferente.
Num picadeiro, com vinte marmelos, dos quais 18 odeiam cavalos, Tudo é diferente. A correria para a escolha do cavalo, o montar com alguns cavalos já em movimento e, o mais terrível de tudo: passar no meio do picadeiro. Sim porque quando o cavalo vai a «olhar» para a parede, nós ainda o controlamos, mais ou menos, mas agora no meio..... é o pânico! É coice por todo o lado... É carga e galope desenfreado.... É quedas...
Nessa aula calhou-me o Alfange. Um lindo alazão, novo ainda a «desbastar». E quem lá em cima? Je.
O Alfange era um «teenager», a querer mostrar a sua força e teimosia, e eu, um teenager, morto de medo para que ele fosse «meiguinho». O Alfange não gostava de fazer os cantos ao picadeiro, e eu, lá lhe puxava a rédea direita e dáva-lhe com a bota esquerda para ele olhar para a parede como se dissesse: vá lá, faz os cantos, pleaaaaaaaasssssseeeeee...
Mas ele nada. Jovem, forte, e teimoso. O Major Ataíde, já farto da situação, coloca-se entre mim e a parede com os braços abertos para o obrigar a encostar à parede. Quando o Alfange o vê, faz uma finta, e foge pelo picadeiro a fora. E eu? Eu lá me agarrei com os dois braços à volta do pescoço dele e lá fui agarradinho até ele decidir travar em frente à parede, e atirou-me contra esta partindo o braço esquerdo.
O Major ainda me começou a bater com o pengalim para que eu voltasse a montar (método pedagógico para perder o medo), mas eu, tinha o braço partido e tive de dar baixa ao hospital.
O Alfange lá continuou. Soube que fez várias baixas na Academia.
Eu? continuei com medo dos cavalos e com o relógio no braço direito.
Por isso, Henrique, leva as esporas e evita os «Alfanges».

Broken Arrow

Quando na passada sexta-feira fui buscar a minha mãe, ela reparou logo que algo não estava bem em mim. Contei-lhe que andava um pouco deprimido, razões que a razão desconhece. E, mãe é mãe. Conhece-me de ginjeira. Se atirasse uma pedra na escuridão, era em mim que acertava.
E logo, mal a deixei em casa, lançou o código: BROKEN ARROW !!!!
(Eu não sou parvo, pela quantidade de chamadas, percebi que foste tu!! hum hum...)
E de imediato ligaram: O Paulo, o Miguel, o meu Cisco, o pimo Uique, o Diogo e até o Zezinho (maricas!) chorou só para mim. A Guida, que fez companhia e a Sandra.
Claro está a Gi e a minha mãe que não me deixaram um momento (bem feita mãe pelo molho-um que levaste na relva)!!!!

OBRIGADO, acho que estou melhor.

(Nota: Broken Arrow é um código militar usado pelo exército americano que significa um ataque aéreo com todos os meios disponíveis para auxiliar uma unidade que está em derrota eminente)

24/09/2009

Tesourinhos deprimentes - 1

O Remo, sempre foi impossível de ficar preso. Tentámos de tudo: canil, arnês, corrente, NADA.
Nada o prendia.
Mesmo dentro de casa, com a sua mestria, abre as portas (certo dia de Natal, deixámos os dois o Jaba e o Remo dentro de casa, e, quando regressámos da Santa Ceia, lá estavam os dois, CÁ FORA, na relva, a puxar cada um para seu lado a parka nova que a Gi me oferecera. 
Certa vez, e já não me lembro por que razão, deixámos o menino Remo preso com uma corrente. O resultado é visível na foto abaixo: rasgou a lona do meu-mais-que-tudo Pipoco.
Foi até onde dava! ráááá....




23/09/2009

Birra (mesmo, não é a cadela) da História

O AM73, ou Aeródromo de Manobras 73, era em Mutarara.
Um vila que tinha uma função especial, pois era a povoação que abastecia as obras da barragem de Cabora Bassa (ou como se diz agora Cahora Bassa), a maior barragem de betão de África.
O meu pai, tinha a chefia deste aeródromo, e, ainda hoje guardo a última bandeira nacional hasteada nesta vila, dada ao meu pai pelo chefe da polícia local, aquando da última e derradeira partida.
Ia frequentemente com ele lá.
Na cabine do Puma, no meio do meu pai e do co-piloto, a ver o trajecto até lá.
Íamos sempre em voo rasante às copa dos embondeiros, e recordo as impalas a saltarem à nossa frente (não levava cadeirinha nem cinto, como hoje deveria ser norme da CE).
De regresso ao AB7, em Tete, Levávamos geralmente feridos e militares cuja comissão tinha acabado. Ia para o pé do meu pai e corria a cortina da cabina do helicóptero para não ter que ver a agonia lá atrás.... pois é, foi assim.

(Na barragem ainda em construção. Na foto e da esquerda para a direita: o meu pai, o Damásio, a Anabela, eu com birra, a minha mãe, a Luísa, a Zé o João Carlos e o Rolando)

Seminário "Quintas e Jardins Históricos - Investigar, Recuperar, Gerir"

A Gi foi convidada para no passado dia 22-09 «botar» palestra na Quinta Municipal da Piedade, Póvoa de Santa Iria. O tema é sobre o excelente livro que escreveu sobre a Quinta da Riba Fria (ver programa abaixo, às 11:30!).
Lá esteve a preparar tudo à pressão, como lhe é característico, rematando: «mas eu sei aquilo de cor!»

Investigar para Recuperar


9.30 Recepção
10.00 Abertura
Maria da Luz Rosinha
Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira
Luís Marques (Antropólogo)
Director Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo
10.15
Pensar o Sítio no Tempo
Raquel Henriques da Silva (Historiadora)
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa)


Pausa para café
11.00
Recuperar sete séculos de história na Quinta das Lágrimas (Coimbra)
Cristina Castel-Branco
(Arquitecta paisagista – Instituto Superior de Agronomia / ACB Arquitectura Paisagista)
11.30
Os espaços e os tempos na Quinta de Ribafria (Sintra)
Maria Teresa Caetano (Historiadora – Câmara Municipal de Sintra)
12.00
A Construção dos Jardins do Palácio de Queluz: uma perspectiva arqueológica
Maria José Sequeira e Ana Vale (Arqueológas)
12.30
Projectar Paisagem no Tempo
Teresa Andresen (Arquitecta Paisagista)
Directora do Parque de Serralves / Faculdade de Ciências da Universidade do Porto

21/09/2009

Histórias à volta das imagens


Na fonte que lá tenho por casa, o meu irmão Paulo, achou por bem dar-me no meu aniversário, como prenda, quatro peixes de lago: o Nemo, o Kursk,  o Nautilus e um, que de tão efémera vida, nem chegou a ter nome. Isto porque o Remo apanhou-o, e foi encontrado, sem vida, no chão em "doca seca". De todos eles, o único sobrevivente foi o Kursk (ironia das ironias), que lá continua, esfregadíssimo pelo Henrique, o zelador da fonte do Cabeço de Barro.

(Na foto, o Remo a tentar apanhar mais uns.... e a fonte, que agora está pintadíssima - Ah grande Henrique!)




E o Báltico aqui tão perto....

Pois é. Depois de uma partida, que nem Del Potro ou Federer, punham a unha, nunca, mas digo NUNCA, escapamos à tentação. Devemos ter um pouco de tritão. Por alguma razão, quando saio de casa, venho sempre na ânsia de ver o mar. Tenho o prazer de poder adormecer ao ouvir o murmúrio do mar. Acordo abro a janela e vejo o mar. Ele tem me acompanhado. Mas este não é o Báltico (porra que está frio brrb brr) mas é o Atlântico na sua verdade. Ele como é. Forte, frio e limpo.

(eu, o Paulo e o Pirolito)




18/09/2009

MacDili

Quis o destino que assistisse pela segunda vez ao desmoronar do Império.
Desta feita, foi a última pedra. Timor. Após 500 anos de história, partíamos do mesmo modo que lá chegámos da primeiríssima vez: de barco, pequeno e frágil.
O MacDili era um velho cargueiro habituado a fazer a ligação Macau-Timor, foi nele que fiz a travessia de cerca de 500 km do Mar de Timor que separam esta ilha da Austrália. Foi uma viagem de 2 dias. A minha mãe gravidíssima do Miguel, foi colocada nas instalações da tripulação composta por chineses, filipinos e malaios. O meu irmão Paulo, fez todo o possível para a acompanhar e olhar por mim.
Eu, lá andava nos porões, por cima dos sacos de arroz onde dormia e brincava. Chegámos à Austrália.




O meu irmão Paulo, o meu Pai e eu pouco antes de embarcarmos no MacDili, que se vê ao fundo. O meu Pai ainda estava de fato-de-vôo, numa das últimas fotografias antes de ficar preso em Aileu com a sua tripulação

O que se passou antes de entrarmos no MacDili, o cap. Abilio Alves Ferreira no seu livro "O ùltimo vôo sobre Timor", o descreve com precisão. Eu era um dos 270...



«No dia seguinte, cerca das dez horas, fomos para o porto. O pequeno navio ainda se encontrava ao largo. A confusão era evidente. Ninguém se entendia. Por que não acostava o MacDili?
- Parece que está com uma avaria nas máquinas. – informou alguém.
Camiões do exército trouxeram rações de combate e colchões, pois o navio só tinha alojamentos e alimentação para a tripulação. Iria levar cerca de 270 passageiros incluindo o grupo de reciclagem. Na sua maioria eram mulheres e crianças.
O tempo foi passando e o navio mantinha-se imóvel. Cerca das três horas da manhã avisaram-me de que só no dia seguinte o MacDili acostaria. Muitas pessoas e, sobretudo as crianças mais pequenas já dormiam junto aos armazéns do cais, deitados sobre os colchões. Logo que a notícia se espalhou, algumas pessoas abandonaram o porto e foram para suas casas. Outros porém, possivelmente os que moravam longe, optaram por passar ali o resto da noite.
Logo pela manhã regressamos ao porto. O navio ainda não se tinha movido. Um oficial do exército fez a chamada (inútil) dos passageiros.
(...)
Quando todos os passageiros já tinham entrado no MacDili e este estava prestes a partir, ouviu-se, disparada ali no porto, uma rajada de metralhadora. As pessoas que estavam no cais correram em todas as direcções, tentando proteger-se. Os que, como eu, tinham família a bordo, ficaram junto ao barco gritando aos tripulantes para largarem. Receávamos que se tratasse de uma tentativa para impedir a evacuação, pois já se tinha ouvido falar nisso. Mais tarde informaram-me que a rajada tinha sido feita para dispersar a multidão de timorenses que se tinha aglomerado à volta do porto. Tinha sido efectuada por um elemento da UDT, não sem antes ter dado conhecimento aos pára-quedistas.
Finalmente o MacDili principiou a mover-se com uma lentidão exasperante. A maioria dos passageiros já tinha entrado nos porões, para onde fugiram quando ouviram a rajada. O vento soprava forte e a primeira tentativa do navio para sair do porto fracassou. O canal é estreito porque existem bancos de coral a cerca de duzentos metros do cais. Todos os que estávamos em terra começávamos a ficar impacientes. Um marinheiro, ao meu lado, comentou:
- Com este vento, o navio não consegue fazer a manobra.
Embora eu pensasse que a evacuação era prematura e poderia contribuir para uma deterioração mais rápida da situação, uma vez decidida, quanta mais depressa melhor.
Numa segunda tentativa, o MacDili conseguiu, finalmente, afastar-se com uma lentidão que faria orgulhosa qualquer lesma. Em terra ficamos nós, apenas os homens. Braços no ar, lágrimas nos olhos, os corações destroçados! Adeus, até quando?»





Notícia saída na revista TIME, Set. 08, 1975, título: "Portugal: Out But Not Down"
«(...) Since then Fretelin, seeking to unseat the U.D.T., has reportedly gained control of the capital of Dili. Refugees fleeing the island told chilling stories of heavy casualties and numerous atrocities. The captain of the MacDili, a freighter that has been ferrying refugees to Darwin, described the fighting as "bloody carnage." Estimates of the death toll ranged from several hundred to 2,000. An Australian engineer who fled to Darwin last week said: "Children are being picked up by the feet and their heads smashed against the trunks of trees. Old men and women have been slaughtered.".