09/08/2010

Vida a cores....

Às vezes dou comigo a pensar... «punha aqui aquela música....». Seria como um filme... a nossa vida com música de fundo! E penso que seria mais agradável.
Não concebo ver Casablanca sem som, ou E Tudo o Vento Levou.... Já viram o disparate de filme que é?
O drama, a comédia, a acção são empolgados pela música. O que seria do Top Gun sem música? Como seria a música de fundo quando vamos para o trabalho à segunda-feira? Penso nisto. E por vezes gosto de colocar certas músicas em certas situações.... e a vida vai passando como num filme....

Coisas de mim...

Aquela rosa vermelha, ainda com orvalho, cortada de madrugada quando fios de ouro banham o céu escuro, tinha crescido, brotado para ti.
Podia não a cortar, não a levar. Ela nunca saberia. Mas ficaria arrependido. Mais arrependido pelo que não fiz do que pelo que fiz.
Arrepender-se do passado, aborrecer-se no presente, temer o futuro: assim é a vida.

19/06/2010

Ás vezes não posso comigo próprio....


A música ainda cá anda... «Lily from Piccadily the ugliest girl I ever seen.... »
Passei o tempo todo que estive em Londres a trautear esta música. Não me saía da cabeça. Olhava para o diagrama do metro, e lá estava... Piccadily .... raios!
Quando estive nela própria, na Picadilly Circus, é como se tivesse visto o santuário.
E a paranóia agravou.
Eles só me diziam: «Cala-te com isso... já não se pode... porra do comprimido dá para isto!!!»
Repetia para mim próprio esta música vezes sem fim....
A Lily, era uma meretriz (meninos, vão ver ao dicionário). Boa. Como o milho. Dizem. Imortalizada em desenhos pintados nos bombardeiros, como talismã.


Junto aqui a letra da música da canção Piccadily Lily ou Diamond Lily como era conhecida (Esta letra tem bolinha vermelha, por isso não a traduzo. Peguem no dicionário e façam-se à vida).

Oh her name is Diamond Lily
She's a whore in Piccadilly,
And her brother has a brothel in the Strand,
Her father sells his arse hole
At the Elephant and Castle,
They're the richest f**king family in the land.

There's a man deep in a dungeon
With his hand upon his prick
And the shadow of his prick upon the wall
And the ladies as they pass
Stick their hat-pins up his arse,
And the little mice play billiards with his balls.

There's a little green urinal
To the north of Waterloo
And another a little further up,
There's a member of the army
Playing tunes upon his dick
While the passers-by put pennies in his cup

17/06/2010

Coisas de mim

Momentos que ficam numa passagem, tão ténue como é a vida.
Uma impressão do momento, uma sombra de um ciclo.
Amanhã, logo, daqui a pouco já não está lá.
Há-de estar outra sombra.
Outro momento.
Único.

Coisas que marcam....«Põe água fria que isso passa»

O Tadeu, era professor de ginástica no Colégio na altura em que lá estive.
O Tadeu não era professor da Classe Especial. As "acrobacias" mais arriscadas para alunos do 3º grupo, no qual me inseria, era saltar um plinto em extensão com os pés juntos: fazer a chamada no trampolim, voar por cima do plinto, apoiar as mãos no outro extremo, encolher os joelhos para o peito e fazer passar os pés por entre as mãos, ou então, a pior era voar por cima de mesas alemãs impulsionados de forma razoavelmente aleatória por uma cama elástica, destreza esta que me deixava a suar antes da aula só de pensar que o tinha de fazer.
Apesar da pouca sofisticação da manobra, era frequente os alunos não conseguirem executar os passos todos; quando os pés não conseguiam passar por entre os braços e "encravavam" na extremidade do plinto, ou, o que me aconteceu, o salto era de tal forma grande e tosco que motivava geralmente uma queda desamparada para a frente, de cara no tapete, apesar da ajuda voluntariosa do Tadeu.
Enquanto o desgraçado do aluno se torcia com dores no meio do chão, achando que tinha partido qualquer coisa, o Tadeu exclamava o seu famoso "põe água fria que isso passa", e lá ia o aluno até à casa de banho efectuar o tratamento de acordo com a prescrição.
Nunca vi o Tadeu manter na aula um aluno que estivesse magoado. O "põe água fria que isso passa" significava simplesmente "vence a pieguice e a dor, percebe onde é que fizeste asneira e volta a tentar de imediato, porque se conseguires fazer bem vais ganhar confiança e fazer melhor no futuro, mas se desistires o plinto parecerá maior da próxima vez e podes não conseguir voltar a passá-lo".

27/05/2010

Já está!


Já tinha referido em Março a expedição do Felgueiras ao Evereste. É com satisfação que me foi enviada a informação que atingiu os objectivos a que se propôs, ou seja chegou ao cume, feito somente partilhado por meia-dúzia de humanos. Por isso, e pela causa que carrega, os parabéns do teu amigo.

Exposição Insectos em Ordem - Francisco Petrucci-Fonseca


Já cá não escrevia nada há uma série de tempo. E recomeço, precisamente, com um tema que me agrada por duas razões específicas: a primeira porque é um evento realizado pelo Francisco Petrucci-Fonseca, ex-13, colegial e companheiro de jantares colegiais; o segundo, porque é sempre um orgulho grande ver «amigos» em lugar de destaque em áreas como as ciências numa sociedade em que a política e o futebol são reis. Por estes motivos, acrescento o programa do convite que me endereçou e honrou, desejando um grande sucesso e um grande ZACATRAZ.

«Esta exposição é parte do Bioeventos 2010, um programa de comemorações do Ano Internacional da Biodiversidade promovido conjuntamente pelo Centro de Biologia Ambiental e o Museu Nacional de História Natural, ambos da Universidade de Lisboa.

Insectos em Ordem é uma grande exposição sobre a diversidade de insectos, em que cada um faz o seu próprio percurso. Os visitantes recebem, à entrada, um exemplar de um insecto que deverão identificar. Os 600 m2 de área expositiva são um gigantesco “labirinto”, uma chave de identificação que, passo a passo, nos conduz ao módulo da Ordem a que pertence o exemplar.»

23/03/2010

Missão Warsaw

Bom, utilizando as propriedades mágicas do Inderal, lá me enchi de coragem e rumei a Varsóvia. Claro que comigo as coisas nunca são assim fáceis e lineares (como dizia o Telinho quando apanhava um engarrafamento: "lá à frente vai o Pinto"), depois de apanharmos um tipo que perdeu o bilhete na portagem da Crel e causou mesmo à nossa frente um engarrafamento, o avião atrasou meia-hora e por causa da greve dos controladores fraceses a rota foi diferente e foi pelos Alpes, por cima da Áustria. Foi lindo....

A cidade é bonita. Toda plana, cheia de edificios novos.

O hotel:

22/03/2010

Felgas sempre a subir....

O 498, ou antes ou Felgueiras, Angelo Felgueiras entrou para o Colégio no 2.º ano. Ficou na minha turma. Andámos sempre juntos. Ele seguiu a carreira da aviação, é comandante da TAP, foi presidente do Sindicato dos Pilotos, e continua sempre a subir. A subir por boas causas. A ajudar quem precisa. Este ano estive com ele já duas vezes, frisei o orgulho que tenho nele, naquilo que faz. É um bom amigo. É meu amigo.

12/03/2010

Enpinanço do mês.........

O meu Henrique ficou todo triste por não ter documentado o «enpinanço».... Por isso, o tio, fez «gato-e-sapato» e arranjou a foto....

Os cavalos são emprestados pela GNR, para muitos, é a primeira vez que os montam, e descer a Avenida a chover, escorregadia, e com bichos novos... é obra!!!!
Aqui vai a «garbosa» escolta.......

E o batalhão.......
(Fotos da AAACM)

03/03/2010

Paris já está a arder? - Não está um frio do caraças..... Parte I

No dia 17 de Fevereiro, quando fomos a Paris, além de ter conhecido e ficado encantado com  as landmarks conhecidíssimas - a Torre Eiffel, a Notre Dame, o Louvre, o Sena, e tantas outras coisas, trago aqui uns pequenos fait-divers que marcam as viagens que fazemos.

As Bicicletas. Por ser uma cidade plana, de ruas largas rectas, paralelas e perpendiculares, há bicicletas por todo o lado. Custa 1,5 € uma hora. Podemos pegar numa, e pedalar até ao outro lado. É giro, limpo e barato.
As Brasseries. Uma brasserie é uma brasserie. É uma coisa que só existe em França. Outros têm cofee-shops, restaurantes, casa de pasto, etc. São pequenas casas que servem pequenas refeições. Acho que está no meio entre o restaurante e o café como os conhecemos. Existem às centenas e têm coisas deliciosas....


O nosso café. A cerca de 15 metros da porta do hotel era neste café que todos os dias de manhã tomavamos o petit déjeuner. Custava 6 € e constava de: meia baguete, um croissant, geleia de fruta, manteiga, sumo de laranja, leite ou chá e finalmente um café.
A Rua Pont du Neuf. A nossa rua, que dá também o nome a uma das pontes que atravessa o Sena. O hotel ficava logo no ponto onde foi tirada a foto, e ao fundo do lado esquerdo está o edifício onde era a fábrica Louis Vuitton, que ainda ontenta o seu nome no topo do edificio e actualmente é um centro comercial.

(continua) 

3 de Março de 2010

No domingo passado, dia 28, cumpriu-se mais uma vez a tradição, desta feita, pelo Henrique o 272. O batalhão colegial desfilou pela Avenida da Liberdade, terminando junto da sede dos Antigos Combatentes, onde se seguiu a missa na igreja de S. Domingos, durante a qual, cá fora, se conviveu com velhos amigos, se bebia a ginjinha e se contavam as histórias que tantos nós lá viveram.
Encontrei amigos que já não via há 30 anos!!!! Amigos com os quais me dava todos os dias e faziam parte do meu círculo de amigos mais chegados. Contaram coisas à minha mãe, como, à noite, depois de jantar tinhamos o nosso momento de crime. Adrenalina pura. Só fazíamos porcaria, tal como: rebentar latas de gás com chama fazendo parecer um foguete, disparar com a pistola Walter contra a porta do picadeiro, empurrar os carros de combate e os canhões para o meio da estrada, etc. Eramos um bando de irmãos que durante 7 anos vivemos na mesma casa. Por isso, recordo na expressão «band of brothers», o discurso imortalizado na obra Henry V, de Shakespeare, que o rei Henrique V proferiu à suas tropas:

And Crispin Crispian shall ne'er go by,
From this day to the ending of the world,
But we in it shall be remember'd
WE FEW, WE HAPPY FEW, WE BAND OF BROTHERS,
For he to-day that sheds his blood with me
Shall be my brother; be he ne'er so vile,
This day shall gentle his condition:
And gentlemen in England now a-bed,
Shall think themselves accursed they were not here,
And hold their manhoods cheap whiles any speaks
That fought with us upon Saint Crispin's day.


O meu ARGOS

O Argos veio como vieram os outros. Um acaso. A mãe recusou-o, em pequeno. Não o alimentava. E ele, subnutrido, cheio de parasitas e pulgas, veio pelo João Valério, através da clássica: vocês querem um .... e pronto, veio. Era um Perdigueiro Português, lindo, castanho claro, com uma estrela branca no peito e uma lista na testa. Os olhos eram castanhos claros - quase humanos, como dizia a minha mãe - e o nome ficou ARGOS. Argos era o cão de Ulisses. Quando Ulisses partiu para a guerra de Troia, deambulou durante 20 anos, ao fim dos quais regressou à sua terra. Lá, tinha ficado um cão. O Argos. Estava velho e vivia na rua, indigente. Quando Ulisses chegou à sua terra, o Argos, num último esforço, que só os mais fiéis e amigos conseguem, levantou-se, reconheceu o seu dono, dirigiu-se a ele e morreu. Ulisses, tapando a cara com a ponta da capa, chorou a morte do seu cão, o único, que ao fim de 20 anos o tinha conhecido e lhe era fiel.
Esta é a história de tantos outros cães, que embora não se chamando Argos, são como ele: fiéis e amigos.
O meu argos era especial. Como veio muito pequeno para casa, era um cão muito dado, muito mimado e muito querido por todos. Corria atrás dos gatos em cima dos telhados das casas. Toda a gente da aldeia o conhecia e sabia o seu nome. Ele ia ter com as pessoas e cumprimentava-as. Elas, como a peixeira, retribuíam dando qualquer coisa, neste caso uma sardinha ou um carapau. Tomava banho sozinho no chafariz do largo. Na praia, corria atrás das gaivotas, entrando pelo mar.
Um dia, saiu de casa, passou pela oficina e cumprimentou, as pessoas, no campo foi ter com um senhor que lá trabalhava e, desapareceu. Foi roubado. Procurámo-lo até hoje. Chorámos por ele como se de uma pessoa se tratasse. O meu Argos ficou-nos no coração para sempre. Ainda hoje tenho saudades dele.

11/01/2010

Irra... está frio!

No passado sábado, eu e o Paulo fomos jogar ténis. Estávamos de calções e a temperatura era de 2 graus. A pele, parecia de peru (não de galinha). Mas o engraçado foi o mar que ao chegar a terra, e porque a temperatura era mais quente, evaporava, fazendo da praia um quadro magnífico.

Nunca me canso dele, e ele presenteia-me sempre com  deslumbrantes nuances. Acho que deveria ter ido para marinheiro.

Portugal no seu melhor....

Quando na semana passada esteve o temporal que todos sabemos, e porque este local onde moro está virado ao mar, e apanha directamente os ventos Norte, a ventania que se fazia sentir era terrível. Parecia que «andava o diabo à solta» como diria a minha avó. Além de muros caídos, árvores, enfim, um pandemónio, caíram na minha rua estes dois pinheiros que vos mostro. Reparem que com a inclinação que têem, só não caiem devidos aos cabos. O caricato da situação, é que ainda estão lá, hoje, apoiados no laço dos cabos. Já lá esteve o piquete, olhou, viu e foi-se embora. Se calhar é porque não têem moto-serra.




24/12/2009

Toma lá, Henrique, o 71 de 1975.....


Andava eu à procura de não-sei-o-quê, quando encontrei o meu Bilhete de Identidade, válido durante os seis anos que lá estive. Foi a minha primeira foto no CM. Aqui está o 71 de 1975 !!!!!!

Véspera de Natal

A véspera de Natal, não é com frio, nem neve, nem nada daquilo que a TV gosta de mostrar, pessoas com cachecol de trenó. É na praia como sempre. Na minha praia de Inverno: a Adraga.

O tradicional «arco» da Praia da Adraga
Estive com dois dos diabretes. Era ver o Barro a correr atrás da espuma das ondas. Foi a primeira vez que a viu! Foi uma alegria. Estava em extase- Não sabia atrás de qual devia ir.....

Eu e mummy

Diabretes on board

Mummy com António Alberto, velho amigo de infância, os pais eram vizinhos da minha mãe, e quase um ex-libris da Adraga

13/12/2009

A minha prenda de Natal


O Pipoco tinha a capota já podre, e ainda por cima, na última volta mais atribulada, rasgou um bocado dela numa árvore. Chovia lá dentro como na rua.
Decidiram, e em boa hora, a Gi e uns contribuintes anónimos (que ainda vou saber quem são...), oferecer no Natal uma capota nova. E ela lá veio ontem pelas mãos do Armando. Foi uma entrega engraçadíssima.
Estava eu no ténis, quando liga o Armando a dizer que tinha a capota e que se quisesse ia ter comigo para a  entregar. Eu disse-lhe que depois das 10, junto aos campos de ténis da Praia, ele via logo o jipe. Só que o Armando é GNR e veio no jipe da GNR com o seu colega. Pararam o jipe atrás do meu e foi logo para lá um borburinho. E a transação? A contar as notas lá atrás? Foi um fartote!!!

Cá está ele, todo toleirão com a sua capota nova..... Era vê-lo, todo gingão a exibir-se!!!!
(Só tenho uma dúvida..... será que a prenda é para mim ou para os diabretes?)

06/12/2009

A vida toda à sua frente....


Acho que ainda não tive coragem de escrever sobre o meu Pai.
Tenho tanta coisa para dizer, tanta saudade, tanta tristeza que as palavras custam a saír. Acho que vai lá com o tempo!
Mas, gostava de partilhar, a imagem que hoje encontrei. Uma fotografia, de 1958, na base de S. Jacinto em Aveiro onde fez a recruta e o curso de pilotagem, aos comandos de um Havilland Chipmunk.
Por um lado, porque estão sempre a dizer que eu sou muito parecido com ele.
Por outro, porque tinha 20 anos.
Nesta altura costumamos dizer: «tem a vida toda à sua frente.....»

02/12/2009

Breakfast at Tiffany's??? No way!!!

O refrão ate podia ser este da música de imortalizou os Deep Blue Something ou Matchbox 20:
«And I said, ?What about breakfast at Tiffany's??
She said, "I think I remember the film?
And as I recall, I think, we both kinda liked it
And I said, "Well, that's the one thing we've got»


(todos à espera de algo substancial - food...)

Mas a verdade é mais a que a foto mostra. Todos os dias ao pequeno almoço é o que se pode ver: três fuças, 6 olhos, seguem-me pela cozinha, miram todos os movimentos da mão que agarra a comida, enfim, gostava, mas sinceramente que gostava de os ver aos três no Tiffany's....

Para quem não se lembra da música, aqui está, com os agradecimentos ao Youtube.com:


Um conto de Natal

Todos os anos quando pergunto à minha mãe, quantos anos tem a árvore de Natal, a resposta é sempre a mesma: «Quase tantos como tu...».
A verdade é que não me lembro dela quando era pequeno. Lembro-me sempre de haver lá na sala, enormes pinheiros enfeitados com grandes luzes e muitas fitas cintilantes.

(A árvore, antes dos enfeites)

Mas esta árvore, assim como é, simboliza o que eu penso que seja o Natal. Simples, crianças, brinquedos, Pai Natal, anjos, frio, em suma, todos os bonecos que lá estão pendurados.
Tive de a montar hoje. Os meus sobrinhos já tinham dito ontem (dia 1-12): «Tio, já montaste a árvore? Hoje é o dia para montar a árvore!».
Por isso, mal cheguei a casa, fui buscar as coisas e montei, como de costume na sala, a beleza que se pode ver! É um ritual que se cumpre todos os anos. Muitas das vezes está esquecida a festa que celebra, o nascimento do menino Jesus, ou solistício de Inverno para os pagãos, mas sim a Campanha da Popota, ou a Loucura dos preços no Jumbo.

(Já toda enfeitada, toleirona....)

Por isto, agradeço-te, por me fazeres lembrar que o Natal é isto: no meio de tanto consumo, tanto brilho, tanta luz, também existe pobreza, simplicidade, modéstia, pureza.


26/11/2009

A amizade «vela de cheiro»



Há amizades que são como as velas de cheiro.
São bonitas e cheirosas. Quando começam, vão libertando um clima agradável, vão nos hipnotizando pela chama que arde no seu interior.

O fogo vai queimando lentamente a cera, e, aos poucos, a vela vai diminuido até se apagar. Fica geralmente a estrutura. Por fora, a vela continua bonita. Por dentro, já não tem nada. Até dá pena deitar fora!

Quantas amizades encontramos assim na nossa vida, perenes.
As que ficam, são aquelas que nunca acendemos.

(Na sala, hipnotizado pela lareira, dá-me para isto...)

25/11/2009

Momentum


Dupla de Drathaars dentro do Pipoco
Se um já é mau.... imaginem dois!!!!!


Barro a fitar os gansos na Quinta da Maria do Carmo (nha... nha...)

Mulheres, sofás e cães (podia ser um filme de Almodovar)


Uma das peças de mobiliário mais importantes para o universo masculino, é o sofá.

Quando é adquirido, nunca lhe prestam muita atenção, não interessando a cor ou a forma.
Ele é o expoente do castigo conjugal. «Vais dormir para o sofá», diz a esposa quando se zanga com o seu conjuge, afastando-o do leito comum e atirando-o para a frieza e solidão do sofá.
Penso que a maior parte dos homens não se rala muito por este facto, ficando mais as mulheres empolgadas com ele...
Eles já estão habituado a ele. Dormem grandes sonecas, antes, depois, durante o jantar. Podem lá estar horas intermináveis. Comem, babam-se, sujam fazem todas as porcarias que as mulheres não gostam.
Agora, para elas, pior que isto tudo é os espécimes, mais concretamente caninos.
Os cães, têm uma atracção semelhante aos homens pelos sofás. Não sei porquê. Gostam. Gostam e dormem grande sonecas também! Ora bem, nesta foto o menino Barro foi apanhado em flagra, numa soneca que como se pode ver, bem regalada! E para o tirar de lá? Rosna-me e morde quando o puxo, contrariado, lá se levanta a olhar muito sério para o dono, que entretanto já lhe deu umas chapadas.....

24/11/2009

Massive Attack, 22 de Novembro, ASAE OUT OF OFFICE


Após vários meses a comprar cd's dos Massive Attack (dei à Gi um cd dos Massive Attack em Dezembro passado para tentar matar aquele-que-canta-só-música-para-gajas, que näo me lembro agora o nome), o trip hop desta banda bateu forte e feio na Gi (deve ter sido à mistura com uns medicamentozinhos que ela toma....)

Para além disto, tive a infeliz ideia de a convidar para o concerto do dia 22-11-09 no Campo Pequeno. Lá fomos nós, mais a Cátia e o Carlos.

E, penso eu, que se näo fosse das batidas hipnotizantes do trip hop da dupla de Bristol e do que sei lá que beberam ao almoço mais a Francine, (que aliás, na minha modesta opiniäo deve ser a que tem mais juízo), aquilo descaiu para a contestaçao (com razäo) e para a quase violência ( - Se aquela gaja näo se senta....)

A sorte deles, foi o piquete da ASAE ter ido beber a bica....


O concerto foi espectacular. Robert Del Naja e Grant Marshall trouxeram uma banda de cinco elementos, com duas secções de percussão, e as vozes de Horace Andy e Deborah Miller, e ainda de Martina Topley-Bird, cantora que actuou na primeira parte do concerto. Mantendo a atenção e o espírito crítico, os Massive Attack voltaram a utilizar os painéis de LED para lançarem mensagens. Em «16 Seeter», alertaram para as despesas de luxo dos deputados britânicos, comparando-as com os custos para cuidados de saúde em África. Martina regressou a palco de quimono japonês para o obrigatório «Teardrop», cantado pelo público, e também para dar voz a «Psyche», uma das quatro faixas do novo EP «Splitting the Atom». Del Naja e Marshall voltaram a pegar no leme para um «Mezzanine» que aqueceu os ânimos, antes do regresso muito aplaudido de Horace Andy com a canção que o tornou famoso junto dos fãs dos Massive Attack: «Angel».

Alinhamento:
1. Bulletproof Love, 2. Hartcliffe Star, 3. Babel, 4. 16 Seeter, 5. Risingson
6. Red Light 7. Future Proof 8. Teardrop 9. Psyche 10. Mezzanine 11. Angel
12. Safe From Harm 13. Inertia Creeps
Encore 1
14. Splitting The Atom 15. Unfinished Sympathy 16. Marakesh
Encore 2
17. Karmacoma

(Quando puder coloco uns videos....)




17/11/2009

Hi-tech....

Quando ouvia falar da Bimbi, eu cepo nas artes culinárias, pensava naquela maquineta como um agricultor de 70 anos pensa num computador: uma máquina mágica que "faz tudo"!

A Gi, já tinha ido assistir a uma demonstraçäo privada na Maria do Carmo, e, depois de todos aqueles pratos, do pessoal atarefado na cozinha, quando lhe perguntaram:
- E que tal?
Ela respondeu:
- Acho muito engraçada, mas eu nao faço comida em casa....
Este fim de semana, no almoço de aniversário do Miguel, comentava-se as desvirtudes da Bimbi. Afinal nao era a máquina que fazia tudo. Tinha de se descascar as coisas!
Foi um descalabro. Um soco no estômago! Julgava que se metia para lá os ingredientes, e, voilá: uma feijoada maravilhosa!
Nada. Afinal nao é nada disto. É uma maquineta. Deve ser o Magalhaes da cozinha.
Reti, que a virtude que a Bimbi tem é de confeccionar as coisas no tempo que for programado. Ora que gaita!
Por isso, ontem, no final do jantar e perante os comilöes mais animados - os diabretes -  ficou a frase:
- Se tivesse uma Bimbi, fazia comida para os cäes....

14/11/2009

Ensaio sobre a possível morte do Sr. Kursk

No final da tarde de hoje, o Henrique, sempre disponível e pronto a fazer-qualquer-coisa, perguntou: «Tio, o que há para fazer?»
- Olha, limpa os peixes, que já não são limpos à muito tempo - respondi eu.
E lá o fez. Quando estava a tirar os últimos baldes de água, disse: «Tio, o peixe não está cá!!!»
- Impossível. - Respondi. - Vê bem se não o despejaste com os baldes!
E lá fomos à procura nos sítios onde despejou a água, se encontrávamos traços do Kursk. Nada.
O Kursk era o último de quatro peixes oferecidos no meu aniversário, já há alguns anos, pelo Paulo e miúdos.
O que teria acontecido a ele? Não o podemos dar como morto pois não existe corpo!
Logo se levantaram várias hipóteses: «Tia, os cães comeram-no!», «Estava um rato lá dentro, se calhar comeu-o!», «Foi uma garça». Sei lá, uma série de situações para tentar justificar o desaparecimento. «Morreu e desintegrou-se». Rematou a Gi para justificar o desaparecimento com uma afirmação tipo biblica - do pó vieste e não-sei-quê no pó te tornas...», só que ali, é adaptar para o meio aquático.
Bom. O que é certo é que não sabemos dele. Mesmo que tenha preparado um requiem, quando é que posso tocá-lo? O que faço à lata de comida para peixes de lago? Será que o Henrique continua a receber os 2,5€ pela limpeza dos peixes?
Para o mim, o que aconteceu, passo a descrever em flashback:
A água do tanque há muito que já não era mudada, estava com grande concentração de dióxido de carbono. O Kursk era obrigado a vir à superfície várias vezes respirar, onde a água era mais oxigenada. Quando os diabretes não têm água, vão beber ao tanque dos peixes, e, terá sido numa destas conjunturas - Kursk à superfície + sede diabretes - foi apanhado e comido ou tirado para o chão.
Vou continuar à procura. Se encontrar sinais dele, então sim. Morreu o Sr. Kursk!

12/11/2009

Tesourinhos deprimentes - III

Quando comprámos a nininha (a carrinha Volvo) - tudo aqui tem um nome - , há cinco anos, fomos buscá-la num sábado.
Na segunda-feira de manhã quando fui para o trabalho, espreitei-a, toda bonita, e..... ia caindo de cú! Estava toda riscada! Capot, tejadilho..... Foi um choque. Era de ir às lágrimas. Um carro, novo em folha, com 2 dias, todo riscado!!!! E o que foi? A menina Violeta, a cadela dos meus vizinhos, copiando os hábitos do gato do mesmo dono, ia dormir para cima do carro. Só que como era grande, riscou o carro todo. Tentámos tudo: enxutá-la, ameaçá-la, nada. Fizemos o que se faz à milénios: levantámos uma vedação à volta da carrinha. Parecia uma gaiola.

Todo este paleio para quê?
Ora bem. Em Dezembro, a nininha foi substituída por um novo. Ao fim de umas semanas o carro novo apareceu todo roido, sim disse ROÍDO, nas embaladeiras frontais e pára-choques. Uma brincadeira, segundo a Baviera de 860 €..... E o que foi? Foi o menino Remo, que detectou algum rato no berço do motor e pôs-se a roer o carro para ver se chegava a ele. Chocado? Não. Conformado.

Regresso à Ursa

A Ursa, é uma praia practicamente selvagem. Fica entre o Cabo da Roca e a praia da Adraga. O seu difícil acesso pelas arribas, preserva-a das multidões e da destruição humana. Lá tudo é selvagem. É linda.

(Praia da Ursa)
Costumávamos no Verão, ir para lá. Levávamos um lanche, e ficávamos o dia inteiro. O Spot, o Dálmata da minha mãe, ia connosco. Era um dia excelente. Ao fim do dia, trepávamos pela arriba acima, e fazíamos o caminho até Almoçageme já meio-mortos.
Agora em Outubro voltei lá com o Paulo. Não fomos lá abaixo. Mas os dois, na arriba, com o vento a soprar na cara, o barulho do mar revolto, e, a mesma paisagem, intocável, brava, agreste. Era como não tivessemos saído dali durante todos estes anos.
 
(eu e o meu pipoco na Ursa)



(cogumelo na Ursa - comparar com o tamanho do relógio)

21/10/2009

Enfim Outono!


Já tardava. Andava tudo meio esquisito. Que calor! Que mar! Desde ontem está diferente. O mar à noite faz o seu barulho de costume. As ondas estão grandes. A praia está cheia de espuma!







O pipoco com a «cobertura» de Inverno.

Um beijinho para a Gala

Um dos aspectos negativos das férias em casa é a Gala. Normalmente, durante a semana, saio antes dela chegar e volto já depois dela se ir embora. Nas férias, de manhã, quando oiço bom dia, bom dia, olá meninos, bom dia...... levanto-me meio nú, a correr para a casa de banho e fecho-me lá dentro.
Por vezes sou apanhado no trajecto: Olá Gala! Está tudo bem consigo? Deixe-me ir vestir....
Ela já está cá em casa à cerca de uma década. Tem tanto de eficiente como de destruidora. Não percebo metade da coisas que diz, e tenho sempre de recorrer à «menina» Gi para eficiente tradução. Gosto quando faz o almoço, comidas meio-esquisitas. Gosto da maneira militar como faz a cama (ela era sargento na base naval de Murmansk), gosto (parto o coco a rir quando descubro) da maneira como remenda as coisas que parte - chwing gum (lembro uma vez, à bem pouco tempo, compramos um jarro para a água, e a Gi, gosta sempre de peças bonitas com design, ou seja, foi um pouco caro, e pusemos em cima da bancada para pôr na máquina para lavar - foi a última vez que o vimos!)
A Gala e os Nicos.
Bem. Ela gosta deles e eles gostam dela. Ela impõe o respeito militar.

(Todos cá fora à espera que ela termine para poderem entrar. Estão tristíssimos)

O Remo tem autorização para estar lá dentro, porque está velhinho. Ela gosta deles. Quando o Jaba morreu e foi cremado, ela viu a caixinha com as cinzas dele e pôs-se a chorar... o meu jabinha tão grande e agora deste tamanho....

20/10/2009

Obrigado JABA


Os animais, principalmente os cães, são seres cuja devoção, lealdade e amor aos donos, ultrapassa tudo aquilo que temos como «exemplar» na raça humana. São sinceros. Não fingem. Não mentem. Estão sempre prontos a dar. Quantas vezes acordo, ou doente ou mal disposto e há sempre SEMPRE, uma fuça contente pronta a lambuzar o seu dono? Não me posso chatear com eles. São os melhores amigos. Confidentes? Sim também. Ouvem, ouvem e no fim lá damos uma guloseima.
O Jaba, de nome completo Jaba Augusto de São Sebastião e Bragança (Jaba porque tenho um fraquinho pela Star Wars e como ele era tão grande parecia um Jabu (demo) ou Jabba the Hut; Augusto porque era grande, magnânime; São Sebastião, foi o local onde nasceu; Bragança, foi o sr Bragaça que nos deu) era um Rafeiro do Alentejo, filho de campeões nacionais, tinha pedigree. Era imenso. Pesava 75 kg. O veterinário/a dizia que não conhecia nenhum tão meiguinho e grande como ele. Quando veio para casa, pequeno - que já era grande - parecia um boneco. Era colocado no banco de trás do carro, e quando paravamos lá estava ele na mesma posição. Tinha muitas paranóias: não subia ao primeiro andar, tinha medo da trovoada e foguetes, tinha medo da espumado mar, o reflexo dos azulejos bloqueava-o e tínhamos de pôr tapetes na cozinha para ele saír de lá....
Chamavam-no de vitelo na aldeia. Quando era a altura do cio, era uma tragédia. Plantava-se à frente da casa das pessoas e não deixava ninguém entrar, tinham de chamar a GNR e lá íamos nós buscar o Jaba.
Tenho muitas saudades dele. Enchia a casa. Tenho a certeza que proporcionei a este meu AMIGO uma vida agradável. Até ao fim, na sua agonia. Até sempre JABA.

 (ele gostava muito de correr nos areais, e, no topo da falésia, ver o mar)

(no seu pipoco que adorava - também - até ao fim, fiz questão que ele andasse nele)